A matéria que produzi como um dos trabalhos da pós de Jornalismo Literário nasceu de um texto publicado nesse blog (confira aqui).
O ensaio foi publicado em dezembro de 2010 no Texto Vivo.
E apreveitei para publicá-lo também no meu blog de jornalismo literário sem as edições do site.
Aqui você confere os bastidores que me levaram a escrever sobre o assunto:
Making of - Ana e eu
Esse texto é um grito. Uma resposta. É como se eu devolvesse todos os sentimentos que experimentei quando vi Ana pela primeira vez. Como se isso ajudasse a desafogar uma série de reflexões e angústias que alimentava dentro de mim.
Escrever um ensaio pessoal foi, antes de tudo, um ato de superação. Sempre achei que não tinha experiências suficientes para contribuir significativamente com os leitores com quem iria compartilhar o texto. Achava que grande-reportagem, por exemplo, era muito mais valiosa do ponto de visto jornalístico. Tinha medo também de me expor, de expressar meus juízos de valores, meus pré-conceitos, de ser eu mesmo. Tinha medo de “travar” e de no final escrever um texto chapa branca que me mostrasse com um ser superior e sem defeitos.
Não foi nada disso que ocorreu em “O choro dos olhos”. Comecei a matéria a partir da curiosidade que aquela moradora do Minhocão me despertava. Queria contar sua história, escrever seu perfil. Ela fazia parte de uma parcela da população por quem sempre me interessei: os extremamente pobres. Mas havia algo a mais naquela mulher. Ela me despertava pensamentos e reflexões.
Com o passar do tempo e feita as primeiras entrevistas, percebi que mais do que sua história, – que ela parecia não querer contar para não precisar lembrar de seu passado -, me interessava o que ela me provocava. E isso foi mudando ao longo dos dias em que convivemos e vai sendo expondo durante a narrativa.
Deixei as coisas fluírem e estou no texto o tempo todo, mas não estou sozinho. Fico sempre acompanhado de Ana e de todo o universo que a cerca. A partir dela vou caminhando para entender questões universais, com reflexões que surgem a partir desse ser tão singular.
Eu mesmo vou me tornando um sujeito desse universo. A imersão no mundo de Ana é para entender o que ele provoca em Guilherme. Somos humanos, temos qualidades, limitações, escolhas próprias...
É uma história em que não só me coloco no lugar do outro, como sou o outro. A matéria estava dentro de mim, esse tempo todo. Ela precisava de tempo e motivo para ser maturada, precisava de um incentivo. Migrante, morador de São Paulo há menos de dois anos, esse texto faz parte do meu período de descobertas na cidade, dos incômodos e debates internos a partir do cotidiano nessa metrópole.
O texto pretende continuar dentro do leitor, fazer com que pense, reflita. É uma narrativa que fala sobre as falsas aparências. Sobre quando piedade causa mais um desejo egoísta do que a vontade de realmente ajudar o próximo. É um texto mais recheado por silêncios do que por diálogos. Por reticências do que por fatos detalhados. Características bem presentes na fala ou na não-fala de Ana.
Uma mulher protagonista, que após uma primeira conversa livra-se da piedade que poderia causar pela sua situação. Ela é bem mais do que um ser que mastiga e lacrimeja. Possui prazeres, defeitos, qualidades e vive independente de mim ou de qualquer outro sujeito “caridoso” que atravesse a Avenida General Olímpio da Silveira.
Uma mulher que me remete ao cego que mastiga chicles do conto “Amor”, do livro “Laços de Família” de Clarice Lispector. Ana me modifica sem precisar se mexer. Provoca-me por ser ela mesma. E o texto busca sentidos para tudo o que percebo, para o que me aflige e, jornalisticamente, busca algo que uma frase do Galbraith resume bem: “Gostaria de, com o meu trabalho, levar um pouco de conforto para os aflitos e um pouco de aflição para os confortados”. E nesse caso, a aflita não é Ana e o confortado não sou eu. Todos nós acabamos por ser um pouco dos dois.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
domingo, 9 de janeiro de 2011
2010 de trabalho. 2011 de mudanças

2010 chegou com as sete ondas puladas na Praia de Boa Viagem, em Recife. Começou intenso, marcando presença numa noite de réveillon que terminou com o nascer do sol e com um cheiro, vice?
No carnaval, a tranquilidade do Pantanal, da pacata Porto Murtinho e de um lugar que remete aos meus antepassados e a mim mesmo. Foi um ano de viagens: além de Pernambuco e Mato Grosso do Sul, fui a Porto Alegre, Santos... O trabalho me levou a Salvador, Rio, Paraty, Curitiba e São José dos Campos.
Foi, sem dúvida, o ano em que mais trabalhei na vida. Pela primeira vez, fiquei 24 horas acordado para dar conta de todos os compromissos que havia assumido. Agosto foi o auge desse processo workahorlic e deve refletir até hoje nas minhas olheiras.
Também me diverti. Fui ao Rio na semana santa e ganhei um bronzeado que me deixou negão por uns dias e descascando por outros tantos. Experimentei, involuntariamente, ficar cinco meses sem ir a Campo Grande e senti na pele o que é saudade.
Período de estudos, de conclusão da pós-graduação de Jornalismo Literário e de fazer curso para jornalistas econômicos na FAAP-MBA.
Conheci a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) de outra forma e fiquei ainda mais deslumbrado com tudo aquilo – um dos melhores momentos do ano!
Em algum momento de 2010, pensei em voltar para Campo Grande. Cheguei a estudar uma proposta de trabalho lá, mas São Paulo já tinha me envolvido. Mesmo na capital paulista, estive nos melhores acontecimentos da cidade morena (aniversário da minha mãe, da minha avó; eleição; casamento da Marina e do Afonso e da Marina e do Luíz, além do Natal).
Foi um ano de me apaixonar por São Paulo e ver alguns sentidos em toda a sua grandeza. Ano de paixão arrebatadora, ensaio de relacionamento à distância e um término difícil de digerir.
Tempo de receber amigos na minha casa; de estreitar meus laços fraternos com a Marcelle; de procurar novos desafios e de questionar onde estava o meu tesão perdido. As últimas páginas do calendário viravam e 2010 teimava em persistir intenso. Às vésperas do Natal, ganhei um presente do Papai Noel: um novo emprego. A entrega ficaria pro meu aniversário, em 3 de janeiro, já no 2011.
2010 confirmou, assim, a sina dos números pares na minha vida: um período de construção, preparação e muito trabalho para garantir as realizações e as mudanças nos anos ímpares.
2011 começa com outras ondas, no réveillon de Copacabana. Uma festa mágica, com cenário e energia indescritíveis. Ali nasceu um ano para chamar de novo. Mais uma vez quero trabalho, claro, mas também amor, saúde, viagens, dinheiro e aquela impalpável qualidade de vida.
Um ano ímpar, 11, que chega com mudanças, promete desafios e realizações. O pedido é que seja grandioso e inspirador como São Paulo e que reserve boas surpresas como os fogos de artifício que dançaram no céu carioca saudando: Feliz 2011!
sábado, 25 de setembro de 2010
Reflexões sobre o amor
Cada um de nós é um mundo. Vários mundos. O mundo das moléculas, do corpo, dos sentimentos, dos pensamentos... Um mundo que dá nome, idade, filiação, que tem procedência, ocupação (futuro, objetivo?). Dela, eu não sei nada desse último mundo. Sei que está arrepiada de frio, que a coberta lhe deu alergia, que gosta de fazer e receber carinho na nuca. Sei que gosto de fazer parte desse mundo.
Admiro os seus silêncios. Há um mistério, os outros mundos a serem descobertos. Às vezes, tenho vontade de fazer todas as perguntas de uma só vez. Mas sei que as repostas não serão tão sublimes quanto esses espaços que aos poucos podem ser completados. Na verdade, a minha maior dúvida é se seriam as respostas que trariam tédio ao amor?
***
- Será que um dia serei o cara que segura o bebê no supermercado enquanto a mulher escolhe a melhor alface para o jantar?
***
O amor é impalpável. São os silêncios, os barulhos. É como o jornalismo que a gente quer: utópico – e talvez inalcançável.
***
É um toque de vida. É a vida. Então, porque a gente dificulta tanto?
***
- Às vezes, acho que a vida a dois não é para mim. Não que eu não saiba amar. É que meu amor é fácil demais para complicar com as regras sociais, pactos eternos e burocracias cotidianas. É possível o amor sem a rotina?
[15/08/2010]
Entre Aspas: Morremos tão pouco de amor, e nos matamos tão pouco de amor. Não quererá isso dizer que somos uns pobres, uns desgraçados impotentes do sentimento? Nelson Rodrigues.
Entre Aspas 2: João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história. (Quadrilha) Carlos Drummond de Andrade
Admiro os seus silêncios. Há um mistério, os outros mundos a serem descobertos. Às vezes, tenho vontade de fazer todas as perguntas de uma só vez. Mas sei que as repostas não serão tão sublimes quanto esses espaços que aos poucos podem ser completados. Na verdade, a minha maior dúvida é se seriam as respostas que trariam tédio ao amor?
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- Será que um dia serei o cara que segura o bebê no supermercado enquanto a mulher escolhe a melhor alface para o jantar?
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O amor é impalpável. São os silêncios, os barulhos. É como o jornalismo que a gente quer: utópico – e talvez inalcançável.
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É um toque de vida. É a vida. Então, porque a gente dificulta tanto?
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- Às vezes, acho que a vida a dois não é para mim. Não que eu não saiba amar. É que meu amor é fácil demais para complicar com as regras sociais, pactos eternos e burocracias cotidianas. É possível o amor sem a rotina?
[15/08/2010]
Entre Aspas: Morremos tão pouco de amor, e nos matamos tão pouco de amor. Não quererá isso dizer que somos uns pobres, uns desgraçados impotentes do sentimento? Nelson Rodrigues.
Entre Aspas 2: João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história. (Quadrilha) Carlos Drummond de Andrade
domingo, 12 de setembro de 2010
Em busca do tesão perdido
Esse é o movimento que guia o mundo. É atrás dele que escrevo, que venho a esse espaço de quando em quando... É por isso que você está aí, trabalhando, estudando, namorando, vivendo... E assim vamos almejando um tesão que tínhamos na infância, antes mesmo de entender o significado dessa palavra – talvez a única grande falta no mundo infantil. Ou querendo aquele gosto da sede adolescente de conhecer o mundo. Ou ainda de sentir-se tomado pelo desejo juvenil de mudar esse mesmo mundo...
Mas ele perdeu-se bem antes. Deve ter sido lá com Adão e Eva. E a gente procura essa maçã com um desejo fugaz. Uma vontade que faz dobrar a esquina para desdobrá-la em seguida. Tem gosto vermelho. Alimenta-nos de polpa açucarada. Esquenta e esfria. Embebeda-nos com seu líquido carnudo. Surge de um desejo cru, mas come-se como um bife encorpado e seu suco peculiar. É a luta, o objetivo do dia-a-dia. E até por isso, nem todo dia tem.
Não chega a se esconder atrás do arco-íris, mas está sempre um passo a nossa frente. Move-se a medida em que avançamos em sua direção. O orgasmo, mesmo que múltiplo, é passageiro. Quando apalpo ou sou acariciado pelo que queria, já deixou de ser... Com sua efemeridade, esgota-se, renova-se. Exige mais. E é por isso que sempre volto a escrever aqui. [Tesão perdido onde está você agora?]
Entre Aspas 1: Perseguir sua paixão é como pegar o último ônibus da noite. Glabe Byron.
Entre Aspas 2: Afinal, ser feliz para conseguir o quê? Clarice Lispector.
Mas ele perdeu-se bem antes. Deve ter sido lá com Adão e Eva. E a gente procura essa maçã com um desejo fugaz. Uma vontade que faz dobrar a esquina para desdobrá-la em seguida. Tem gosto vermelho. Alimenta-nos de polpa açucarada. Esquenta e esfria. Embebeda-nos com seu líquido carnudo. Surge de um desejo cru, mas come-se como um bife encorpado e seu suco peculiar. É a luta, o objetivo do dia-a-dia. E até por isso, nem todo dia tem.
Não chega a se esconder atrás do arco-íris, mas está sempre um passo a nossa frente. Move-se a medida em que avançamos em sua direção. O orgasmo, mesmo que múltiplo, é passageiro. Quando apalpo ou sou acariciado pelo que queria, já deixou de ser... Com sua efemeridade, esgota-se, renova-se. Exige mais. E é por isso que sempre volto a escrever aqui. [Tesão perdido onde está você agora?]
Entre Aspas 1: Perseguir sua paixão é como pegar o último ônibus da noite. Glabe Byron.
Entre Aspas 2: Afinal, ser feliz para conseguir o quê? Clarice Lispector.
sábado, 31 de julho de 2010
Elevado

Ousei ficar sentado ali por alguns minutos. Estava a alguns metros de casa, mas testava a vulnerabilidade daquele lugar. Às 2 horas de domingo, o Minhocão era um local inóspito. Um outro cara, sentando no mesmo canteiro que eu, escrevia algo. Mais adiante, um grupo de jovens confraternizava e provavelmente consumia drogas.
O ar era fresco. Libertava o meu corpo da morte e deliciosamente aguçava a sensação de estar vivo. O céu era azul marinho acinzentado. Assim como não atingia o tom azul celestial durante o dia, não conseguia ser preto de noite. Os prédios pareciam tocá-lo e afugentar as estrelas, a lua...
Os carros não param de passar lá embaixo. A vida a correr. Eu, mesmo sem convites para uma noitada, consigo sentir a noite por completo. E ela chega intensa no meu ser. E com meu bloquinho, empunhando meu lápis, me sinto acompanhado. Um delicioso fim de sábado e início de uma nova semana.
Nos apartamentos,luz e vida, gente acordada. Um cara mal-encarado de bicicleta ronda meu entorno. Se não for assaltado... e não fui... volto para casa agora. A noite exala tão plena que já sou capaz de viver uma semana toda embalado por esse gosto doce. É melhor ir e terminar assim, com uma boa noite (...)!
[25/04/2010]
Entre Aspas: Será que usamos o cotidiano para fugir da angústia de existir? Da peça "Um Dia a Menos" baseada na obra de Clarice Lispector.
sábado, 26 de junho de 2010
Aos 30, as pessoas são perigosas – assassinas em potencial

É um samba que virou marchinha e se encaminha para ser valsa. Há paixão, ódio e juventude acumulados. Uma unidade interior, uma malícia no ar. Já sabe como se divertir, o que lhe dá prazer (e isso tira todo o frescor das descobertas). Não que já saiba tudo, mas essa canja torna-se um limite imaginário.
– Já tem 30 anos, não tem idade mais para... – grita a sociedade em sua direção.
Há o estabelecido e o por vir. Não lhe dão direito de errar como o jovem, nem de ser extremamente brilhante e virar referência como é concedido aos que já têm mais de 40.
É um dueto, menos doce, mais grave, que dança, gravita. Habita as primeiras rugas, as últimas espinhas. O último cigarro, o primeiro sopro. O último frescor, as primeiras asperezas. É o auge e a decadência. Com isso, estão sempre a um passo de se vangloriar pelas suas realizações ou sucumbir a um fracasso acumulado. Deixa de ser promessa e passam a lhe exigir pronta-entrega. De filho precisa virar pai. Um carro, uma mulher, uma casa e uma dívida no banco. Uma viagem ao exterior, status na profissão e sem porres no fim de semana.
É um adulto, adúltero, corno... e exibe tudo isso com um ar cheio de si. Possui conhecimento de si mesmo, caráter definido e vivência o suficiente para, por exemplo, decidir matar alguém. E isso não será um rompante juvenil ou o recalque de quem se amargurou e decidiu fazer isso depois dos 40. É, portanto, um ato consciente. Plenamente. E ele tem muita vida e alguma juventude para pagar pelo crime. É isso que os torna perigosos.
[Talvez, aos 30, descubra que nada muda. Mas esse texto me atormenta para vir para fora e preciso concebê-lo. Talvez só para daqui um pouco mais de meia década descobrir o quanto se é juvenil aos vinte e poucos e o quanto ter 30 é menos um peso e mais um número. Mesmo assim, cuidado: aos 30, eu, você, nós, podemos matar ou morrer (sem enganos?).]
PS: A potencialidade das pessoas de 30 em serem assassinas pode ser canalizada para se tornarem suicidas.
Entre Aspas: A mulher pode ter qualquer idade. Não o homem. O homem não pode ter dezoito anos, ou quinze. Aos dezoito anos, não sabemos como se diz “bom dia” a uma mulher e não podemos fazê-la feliz, em hipótese nenhuma. Para o homem, o amor não é gênio, não é talento, e sim tempo, métier, sabedoria adquirida. Fiz as considerações acima para concluir: – o homem devia nascer com trinta anos feitos. Nelson Rodrigues.
sábado, 19 de junho de 2010
Depois que o sol se vai
A lua já terminou sua escalada e agora se exibe inteira e luminosa. Um brilho de quem quer encantar aqueles que só pensam em sua própria escuridão tentando abafar seus silêncios com uma profusão de barulhos.
Tentativa que vai se mostrando em vão. À medida que a noite cai e o frio chega, todos vão tendo que se recolher e conviver consigo mesmo. É aí que a noite começa de verdade!
Estação
Nem sempre conseguimos descer do trem depois do aviso e antes que a porta feche. Podemos sorrir ou chorar. Mas o trem continuará a viagem e outros virão.
Tentativa que vai se mostrando em vão. À medida que a noite cai e o frio chega, todos vão tendo que se recolher e conviver consigo mesmo. É aí que a noite começa de verdade!
Estação
Nem sempre conseguimos descer do trem depois do aviso e antes que a porta feche. Podemos sorrir ou chorar. Mas o trem continuará a viagem e outros virão.
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